Submarino

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Nuporanga (do Tupi-guarani Campos Belos – Nhu-Poran) no Oeste paulista, viveu uma grande epopeia nos primórdios deste século (1901 a 1908). O seu intendente (Prefeito) acabara de planejar e construir um modelo em miniatura de um novo submarino. Mello Marques fora aluno do Colégio Naval. Filho legítimo do Com. Joaquim Candido de Azevedo Marques e d. Rita de Mello Azevedo Marques, nascera em S. Paulo, em 6 de dezembro de 1869. Em 1º de novembro de 1890 foi promovido a segundo tenente da Armada e, em 1892, pediu reforma, mudando-se para Batatais. Nesta cidade abriu escritório de agrimensura com Manoel Gustavo de Andrade Junqueira. Mudou-se para Nuporanga em 1899, sendo eleito intendente municipal e reeleito em várias legislaturas, até 1906.

 

O primeiro projeto de submarino data de 1578 por William Borne, porém o projeto, que incluiu o sistema de tanques de ar usados como lastro para controlar imersão, não saiu da prancheta. Em 1776 o americano David Bushnell construiu um submarino com capacidade para uma pessoa: o “submarino tartaruga”. Este foi o primeiro submarino usado em combate naval pelos militares da colônia americana contra os ingleses, embora sem sucesso. Em 1798 Robert Fulton constrói o Nautilus, com duas formas de propulsão: velas quando na superfície, e uma espécie de manivela helicoidal acionada manualmente, quando submerso. John Holland introduz o submarino Holland VII e posteriormente em 1900 o Holland VIII dotado de propulsão a motor a petróleo quando na superfície e de motor elétrico quando submerso. Em 1900 Holland vendeu a Marinha americana seu primeiro submarino viável o USS Holland (SS-1), dotado de torpedo.

No Brasil, em meados de 1901, já o ministro da Marinha autorizara a construção de um modelo no arsenal que servisse às experiências oficiais. Ao modelo do submarino Mello Marques em forma de peixe apresentado externamente, com hélice propulsora e o leme na cauda e, na proa, duas aberturas para lançamento de torpedos, foi por despacho do Ministério da Indústria, de 26 de julho de 1901, concedido o privilégio de três anos para experimentos. Em Nuporanga havia o inventor construído, com o auxílio do marceneiro Jerônimo Barbosa da Silva e de Ferreira, o João Ferreira ou “João Branco”, um modelo, em miniatura, que funcionou satisfatoriamente, no tanque feito a tal fim. A tribuna de 3 de outubro de 1901, fez a apreciação do submarino “Mello Marques”, dizendo, a certa altura: “Agora outro engenheiro brasileiro pretende ter resolvido o problema da navegação suboceânica. É o Snr. Dr. Mello Marques que do Snr. Ministro da Marinha obteve autorização para construir o modelo do seu submarino. Todos os aspectos que a navegação submarina apresenta foram cuidadosamente estudados e resolvidos nesse invento em que o s.r. Mello Marques procura conciliar as qualidades imprescindíveis a um submarino de guerra com a mais singela e segura praticabilidade do manejo. Possui deste modo, o submarino Marques a condição necessária para a pontaria de torpedo, isto é, a parada entre duas águas.”

Segundo o capitão de fragata Rogerio Augusto Siqueira, em trabalho de 1923, o submarino possuía como características a capacidade de parar entre duas águas por um processo mais simples que os usados até aquela data; imergia e emergia horizontalmente no plano vertical; salvo avaria no casco, não podia descer além de certa profundidade prefixada nos planos de construção; realizava automaticamente a compensação da estabilidade longitudinal, por meio de aparelho especial. O inventor brasileiro introduzira tais inovações que queimavam etapas no aperfeiçoamento da navegação submarina, então em seu início.

Em 1908 o protótipo do submarino “Mello Marques” como era chamado, mas por seu inventor denominado “Nuporanga”, figurou na Grande Exposição Nacional, no Rio de Janeiro. No entanto como assinalou Aleixo Irmão, o submarino àquela altura já se “afundara nas águas da indiferença governamental” . Só em 1913, depois de haver renovado sua esquadra de superfície, teria o Brasil uma frotilha teria o Brasil uma frotilha de submergíveis, adquirida na Itália, de onde viria o Jaú, o “Savóia” com que João Ribeiro de Barros se sagrou o primeiro brasileiro a realizar a travessia aérea do Atlântico Sul. A respeito do submarino, o historiador Hélio Damante escreveu no “Estado de S. Paulo”, de 17-10-1976, sob o título “Um paulista aperfeiçoa o submarino”, no qual louva o feito do então intendente de Nuporanga. José Aleixo Irmão, no seu livro “Nuporanga, minha terra” coligiu tudo o que existe acessível a respeito nos arquivos e jornais da época incluindo a Revista Naval e a Revista Marítima Brasileira. O inventor do submarino, quando prefeito de Nuporanga, está perpetuado no brasão de armas da cidade, no simbolismo da âncora de prata.

 

Fonte: http://inventors.about.com/library/inventors/blsubmarine3.htm

http://www.nuporanga.sp.gov.br/mellomarques.htm

Acesso em outubro de 2002

Os Inventores na Marinha de Guerra Brasileira, Capitão de Fragata Rogério Augusto de Siqueira, Imprensa Naval, Rio de Janeiro, 1923

Agradeço a Rodrigo Moura (rodrigodebarba@globo.com) pelo envio de material, em novembro de 2002, para redação de parte deste texto

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