Micro Usina Hidroelétrica

O rio Manhuaçu, afluente do rio Doce, em Minas Gerais, em toda sua extensão, é rico em pequenas quedas d’água, próprias para o aproveitamento hidrelétrico. Este potencial natural despertou muitas vocações, fazendo surgir vários profissionais e práticos na construção de pequenas micro usinas hidrelétricas. Dentre esses, um que se destacou, foi o senhor Nagib, eletricista autodidata de vasto conhecimento erudito e que tinha nas pesquisas e projetos de melhoramento, o complemento do seu trabalho. De sua sagacidade, em 1970, nasceu o primeiro gerador transistorizado do Brasil, tendo tido boa aceitação e repercussão. A evolução deste trabalho, fez nascer a NH geradores, fábrica de geradores de imã permanente de tecnologia própria. Atualmente o número acumulado de geradores da marca instalados já ultrapassa 13 mil unidades, sendo mais de 6 mil só na região. Os produtos e soluções da empresa já romperam em muito as fronteiras do estado de Minas Gerais, sendo seu maior diferencial a solução personalizada. 

Por definição, micro usina hidrelétrica é uma central de fio d’água, não necessitando de reservatório para armazenar água. É composta por barragem de desvio, tomada d’água, câmara de carga, casa de máquinas ou de força, tubulação e linhas de transmissão e distribuição. A turbina é um dos componentes básicos da usina. Seu rotor, por onde a água escoa, absorve energia hidráulica, transformando-a em energia mecânica. Há vários modelos de turbinas no mercado. As mais comuns são: Michell Banki, indicada para grandes variações de carga; Pelton, para grandes quedas e pequenas vazões; Francis, para quedas médias e vazões médias; e o modelo á hélice, para quedas e vazões baixas. 

A invenção do transistor – despertou em Sr. Nagib, que desde 1948 trabalhava com geradores e micro usinas hidrelétricas, a percepção da possibilidade de se eliminar um grande problema dos usuários de micro usinas elétricas, na época, que era a interferência nos aparelhos de televisão provocados pela comutação nos coletores. O Sr. Nagib, apesar de não ter formação superior, era considerado na região uma autoridade nas áreas de elétrica, eletrônica e mecânica. Do seu senso de percepção e, conhecimento, nasceu o primeiro gerador transistorizado no Brasil. O sistema substituiu, também, os coletores por anéis, eliminando completamente a interferência nos aparelhos de televisão. A solução mostrou-se bastante eficiente e foi logo seguida por diversos fabricantes na época. Os geradores transistorizados foram fabricados pela NH durante oito anos com excelente aceitação. 

Apesar do contentamento devido á eliminação do problema citado. Um fato ainda incomodava Sr. Nagib. Com a implantação do sistema, houve necessidade do aumento de rotação nos geradores, ocasionando um ligeiro aumento no consumo de água, o que se opunha uma á outra preocupação que tinha: a busca por uma solução mais adequada àqueles potenciais usuários que dispunham de pequenas vazões e ou altura de queda d’água. Procurando encontrar esta maior eficiência na produção de energia, Sr. Nagib, junto com seus dois filhos, que a esta altura já integravam a empresa, passaram a desenvolver um gerador com excitação por imã permanente e sem escovas. Os resultados das experiências, comprovando o sentimento do Sr. Nagib, demonstravam excelentes performances e eficiência. 

A instalação dos primeiros geradores foi feita junto as nascentes, nos locais onde as quedas d’água de pouca potência não viabilizavam a instalação de outros geradores, trouxe uma constatação surpreendente, até mesmo para seus criadores: “Dispondo de quedas d’água inferiores em potência àquelas situadas mais abaixo do leito dos rios, os geradores de imã permanente chegavam a produzir bem mais energia”. Além da eficiência de conversão bastante superior, os novos geradores com rotores de imã permanente, dispensavam escovas, permitindo uma produção de eletricidade livre de ruídos elétricos e da incômoda interferência nos aparelhos de televisão. Em relação á manutenção, também apresentava vantagens comparativas, pois as únicas partes sujeitas a atrito e consequente desgaste, se restringiam aos rolamentos do rotor. 

Hélio Mansur não lembra quando começou a se interessar por usinas, mas acredita que o episódio do canivete tenha sido decisivo. “Meu pai era relojoeiro e gostava de consertar coisas, principalmente máquinas. Então, quando ele terminava um serviço, eu ia lá, apertava ou fingia apertar os parafusos e só aí considerava o serviço realmente encerrado”, conta. Nagib não tinha formação acadêmica, mas conhecia hidráulica, mecânica e eletricidade como poucos, segundo testemunhos da época. “Era um homem extraordinário, de grande discernimento, capaz, inclusive, de antever fatos”, garante Mansur. Segundo ele, seu pai, tendo feito apenas o curso primário, escreveu um livro de grande êxito (Deus, Ciência e Religião), ditando palavra por palavra a seu irmão Cesar. Na década de 50, Nagib tentou estabelecer-se como fabricante de baterias para automóveis, mas havia poucos carros na cidade e o negócio não vingou. Então, montou uma fábrica de geradores que, afinal, prosperou, transformando-se no embrião de sua empresa, a Indústria de Geradores NH, de 700 metros quadrados de área, instalada atualmente no bairro São Jorge, a poucos metros da BR-262, que liga Belo Horizonte a Vitória. 
Outra vantagem da versão pré-montada para o comprador é a garantia do seu correto dimensionamento. Hélio destacou que cada queda d’água exige um dimensionamento específico, feito a partir das informações de altura da queda e da a vazão d’água. O conhecimento destes valores permite que sejam calculados: a potência máxima do gerador, tamanho da turbina, diâmetro da tubulação e relação da transmissão. A inadequação de qualquer um desses parâmetros, pode comprometer, em muito, o desempenho e a qualidade da energia gerada. Essa flexibilidade, juntamente com a engenhosidade do Hélio, tem possibilitando a instalação de usinas para aproveitamento de potências bem baixas, com resultados surpreendentes. Ele já conseguiu colocar em operação usinas para trabalhar com quedas d’água de até 90 cm de altura ou em outros casos, com maiores alturas, mas, vazões baixíssimas.

Autodidata em hidráulica, como o pai, Hélio Mansur é hoje um dos mais requisitados fabricantes do país de equipamentos para PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas), usinas cuja potência é igual ou inferior a 30 megawatts. No caso dele, são micro usinas com potência instalada de 90 watts a 6 mil watts, construídas em sistema semi artesanal. Segundo levantamento da Conbrac — Confederação das Cooperativas de Energia, Telefonia e Desenvolvimento Rural, o Brasil possui 4,5 milhões de estabelecimentos rurais sem energia. Ou seja, cerca de 25 milhões de brasileiros (15% da população) vivendo na escuridão ou na penumbra, sob a luz de candeeiros, lamparinas, velas etc. As usinas hidrelétricas produzem 89,9% da energia gerada no Brasil. Porém, as PCHs participam com apenas 604,6 megawatts, pouco mais de 1% do potencial instalado no país, que é de 59,036 gigawatts (1 gigawatt equivale a 1.000 megawatts). 

Fonte: 
http://www.aondevamos.eng.br/boletins/edicao11.htm 
http://globorural.globo.com/edic/168/rep_energia1.htm 
acesso em novembro de 2002

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