“Controle Biológico da lagarta-da-soja”

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O uso de inseticidas químicos, além de ser prejudicial ao meio ambiente e ao homem, é, na maioria das vezes, de alto custo para o agricultor. O controle biológico de pragas utilizando microrganismos é uma alternativa ao uso de inseticidas químicos. Uma das principais vantagens do uso de inseticidas biológicos ou bioinseticidas é a sua alta especificidade com relação à praga alvo, não afetando outros insetos, plantas e animais. O Brasil possui o maior programa mundial de uso de um vírus contra uma praga. O uso do baculovírus Anticarsia gemmatalis nucleopolyhedrovirus (AgMNPV) contra a lagarta da soja (A. gemmatalis) já é usado em mais de 1 milhão de hectares de soja no país e constitui uma alternativa real ao controle químico dessa praga.


Um exemplo bem-sucedido de controle biológico, como parte de um programa de MIP é o da lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis), com a utilização de um vírus entomopatogênico, do grupo dos baculovírus. Pesquisas pioneiras desenvolvidas a partir de 1977 no Centro Nacional de Pesquisa de Soja (CNPSO), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), sediado em Londrina, PR, viabilizaram o uso de larga escala do vírus da lagarta-da-soja, denominado de Baculovírus anticarsia, em nível de agricultor. Após a constatação da viabilidade técnico-econômica em testes-piloto realizados em diferentes regiões produtoras de soja no Paraná por duas safras consecutivas (1980/81 e 1981/82), foi iniciada a difusão da técnica de aplicação do baculovírus na safra 1982/83, primeiramente no Paraná e Rio Grande do Sul. A área de soja tratada com Baculovírus anticarsia no Brasil cresceu rapidamente, de 2.000 hectares em 1982/83 para mais de 500.000 ha em 1987/88, o que atesta o sucesso desse método de controle biológico. Ressalta-se que, em termos de área atingida, este é o maior programa de uso de vírus de insetos, em nível mundial.

A Embrapa Soja foi a primeira instituição de pesquisa do Brasil a utilizar um vírus para controlar naturalmente uma praga nas plantas. O Baculovirus anticarsia é um agente biológico capaz de controlar a lagarta da soja Anticarsia gemmatalis. Utilizado em 1,4 milhão de hectares cultivados com soja no Brasil, o Baculovírus anticarsia proporciona anualmente ao País, uma economia estimada em 13 milhões de reais/ano, uma vez que elimina a aplicação de cerca de 1,2 milhão de litros de inseticidas nas lavouras brasileiras. A Embrapa Soja desenvolveu a tecnologia de formulação do produto em pó, o que tem facilitado sua aplicação nas lavouras. O Baculovírus também pode ser produzido na propriedade, através da coleta e armazenamento de lagartas mortas pelo vírus. O Baculovírus anticarsia está sendo utilizado em outros países da América Latina, como Argentina, Paraguai e Bolívia. Hoje, o produto biológico já é produzido por empresas privadas e tem um rigoroso controle de qualidade supervisionado pela Embrapa Soja.

Durante a infecção de larvas com o vírus melhorado geneticamente, o hormônio ecdisona do inseto não é inativado, desta forma as lagartas mudam de estádio mais rapidamente do que as infectadas pelo vírus selvagem e o dano que causam às plantas atacadas é menor, pois alimentam-se menos. A invenção possibilita a construção de um vetor de transferência contendo o gene <225>-galactosidase sob controle dos promotores polihedrina AGMNPV e Escherichia coli gpt. O vetor de expressão, denominado pAgGAL, tem por finalidade a sua utilização na clonagem e expressão de genes heterólogos em células de insetos, por meio da construção de baculovírus AGMNPV recombinantes. Este vetor utiliza um sítio da enzima de restrição Bgl II logo após o promotor do gene da poliedrina do baculovírus AgMNPV para a clonagem dos genes heterólogos. O vetor possui uma região de aproximadamente 2000 pares de bases contendo parte do gene da poliedrina e regiões flanqueadoras acima e abaixo do gene.

Os baculovírus são vírus encontrados exclusivamente em invertebrados e principalmente nos insetos. Dentre os insetos, várias pragas da ordem lepidóptera são infectadas por baculovírus. Como os baculovírus são altamente específicos, o seu uso para controlar pragas da lavoura é bastante seguro, pois eles não infectam o homem, nem as plantas, nem outros insetos. Uma das desvantagens do uso desse vírus para o controle de A. gemmatalis é o grande tempo entre a infecção e a morte do inseto alvo (4-14 dias), desta forma, após a aplicação do vírus, o inseto ainda consegue causar dano à lavoura antes de sua morte.

A expressão gênica dos baculovírus é regulada em cascata e dividida em duas classes principais de genes: Os genes precoces , que são expressos antes da replicação do DNA viral e os genes tardios , que dependem da replicação do DNA viral e da expressão de fatores transcricionais virais. A presença de promotores fortes, hiper expressos e genes não essenciais para a replicação do vírus em cultura de células, permitiram o desenvolvimento de vetores de expressão baseados em baculovírus e a manipulação genética desses vírus visando ao aumento da propriedade inseticida.

 

Fonte:

http://www.geocities.com/~esabio/plantasdaninhas/metodos_alternativos1.htm

http://www.cnpso.embrapa.br/baculov.htm

Patentes: Onde o Brasil perde, Sindicato da indústria de Artefatos de papel, Papelão e Cortiça no Estado de São Paulo, dez/93, pg 9

acesso em abril de 2002

Cronologia do Desenvolvimento Científico e Tecnológico Brasileriro, 1950-200, MDIC, Brasília, 2002, páginas 357

http://www.biotecnologia.com.br/bio/bio22/22_10.htm

acesso em novembro de 2002

Revista Época de 25 agosto de 2003, página 43 “A Revolução do saber” Ana Magdalena Horta, Marcelo Aguiar e Estela Caparelli

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