“Contador de fluxo de pessoas”

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Recém-formado, Paulo trabalhava na instalação, no BarraShopping, primeira franquia da loja americana Radio Schak, especializada em equipamentos eletroeletrônicos. Apesar de famosa nos EUA veio para o Brasil com um obscuro sistema de controle de fluxo. “era uma roleta dessas de ônibus”, lembra. Ali mesmo Paulo Sérgio teve a ideia de criar um sistema automático de controle de fluxo.

A Feixe Tecnologia, uma empresa da Incubadora da COPPE, acaba de desenvolver um sistema inovador, que moderniza e amplia os atuais processos de automação comercial existentes no mercado: O Multipoint System (sistema MP), que coloca o comportamento dos clientes como seu principal foco. O sistema realiza a contagem e indica o fluxo de pessoas dentro de um determinado ambiente, podendo controlar desde o número de clientes que entram, a quantidade de pessoas que circulam ao longo do tempo no estabelecimento, e até mesmo qual os locais de acesso mais utilizados. Também fornece dados que indicam quantas pessoas entraram e não compraram, quais os locais, dias e horários de maior concentração de clientes e qual a produtividade e o potencial que o estabelecimento possui, entre outros.


O processo de automação comercial mais popular entre os varejistas até hoje é o sistema de leitura óptica com código de barras. Ele torna o atendimento mais ágil e permite o controle de estoques e venda de produtos. Porém, este sistema só considera as pessoas que efetivamente compram algum produto. Se bem gerenciados, os dados fornecidos pelo Multpoint System podem aumentar a produtividade e agilidade das empresas que o utilizam. Foi o que aconteceu com o Madureira Shopping Rio, que após a instalação do equipamento, descobriu ser segunda-feira o dia da semana de maior concentração de pessoas dentro do shopping, e não nos finais de semana. Informações como esta possibilitaram o desenvolvimento de estratégias que aumentaram a produtividade comercial.
O Sistema de infra vermelho trabalha através da interrupção de dois feixes paralelos de raios infravermelhos disponibilizados horizontalmente à passagem do fluxo de pessoas. Possui a melhor relação custo benefício do mercado, sendo atualmente aplicado a realidade do segmento de Shopping Center. Possui um alto desempenho aliado a novos e poderosos recursos que facilitam a tarefa de controle do fluxo de pessoas em Shopping Centers. Com o uso de tecnologia inovadora “ INFRA-SYSTEM ” , o Sistema Feixe Infra- Vermelho, permite a compensação automática dos desvios gerados em função da passagem simultânea de duas ou mais pessoas através dos Módulos de Detecção. Permitindo ainda uma interatividade total do usuário, mediante interfaces gráficas que o tornam totalmente amigáveis. Sua utilização na realidade de qualquer Shopping Center oferece custos extremamente baixos em relação as vantagens oferecidas. 
Até hoje, a determinação do fluxo de clientes no interior de espaços é feita usando-se dados de observadores fortuitos. O MP substitui as projeções estatísticas manuais por informações precisas e confiáveis. Os dados coletados são transmitidos para uma central, gerando relatórios de contagem, por áreas específicas, em períodos de tempo livremente determinados. A forma de saída dos dados é definida pelo cliente, garantindo solução personalizada e individual. 
Esta tecnologia permite também otimizar o gerenciamento de filas. A rede Lojas Americanas, por exemplo, no intuito de minimizar o tempo gasto por seus clientes nas filas, implantou o sistema em uma de suas filiais. O equipamento prevê o tempo que estes vão permanecer na fila, permitindo assim um gerenciamento praticamente online do número de caixas disponíveis, proporcionando um aumento de qualidade do serviço da loja e uma maior agilidade no atendimento aos clientes.
O Plaza Shopping, em Niterói (RJ), também utiliza o sistema de contagem de fluxo de clientes totalmente automatizado. O sistema é resultado de um projeto desenvolvido ao longo de quatro anos na COPPE/UFRJ. A tecnologia 100% nacional é muito simples: pequenos sensores com raios infravermelhos são instalados em pontos estratégicos. São sempre dois aparelhos a uma distância máxima de 10 metros, traçando entre si uma linha imaginária. Quando uma pessoa atravessa a linha ela é contabilizada pelo sistema. 
Relatórios gerados pelos sistemas diariamente, ou mesmo de hora em hora, revelam a taxa de captura – ou seja, comparam o número de pessoas que passam em frente ao estabelecimento com o das que entram para comprar ou pedir informações. Eles também identificam a taxa de conversão, que indica, do total de clientes que entram no estabelecimento, quantos compram. “O uso dessas informações é muito abrangente. É possível fazer testes nas vitrines até conseguir a melhor taxa de captura. Com as informações também pode-se adequar o número de funcionários conforme o horário de maior fluxo de pessoas e o estoque de acordo com o histórico de vendas, considerando-se os períodos de sazonalidade”, afirma Paulo Sérgio Campos, diretor da Feixe Tecnologia. Mas, e se duas pessoas atravessam ao mesmo tempo a linha, interrompendo o mesmo raio infravermelho? Ou ainda, se uma mesma pessoa vai e vem, atravessando várias vezes a linha em poucos segundos? O sistema é “enganado”, certamente. Mas, segundo as experiências no Brasil, a margem de erro do Contador de Fluxo de Clientes é desprezível: no Plaza Shopping tem ficado em torno de 1,5%. As unidades de contagem espalhadas pelo shopping são conectadas a um microcomputador equipado com software específico, que armazena e processa as informações, gerando relatórios a qualquer instante com dados em tempo real. 
“Antes de descobrir o Contador, a administração do Plaza contactou um grupo canadense que fabrica equipamentos semelhantes. O concorrente estrangeiro, no entanto , não é tão flexível quanto o sistema nacional , não permite interatividade com a grande maioria dos softwares utilizados no Brasil e não pode ser conectado à internet. Se ainda contarmos com a qualidade do atendimento – facilitado pela proximidade – As vantagens do sistema nacional se multiplicam,” finaliza. 
Todas as possíveis utilizações, mostram que o MP é uma ferramenta que supre as necessidades do varejo em relação à automação comercial. A Feixe Tecnologia é uma empresa de Engenharia Eletrônica que faz parte da Incubadora de Empresas da COPPE, um projeto que apoia o surgimento de empresas tecnologicamente inovadoras. Em 1999 a empresa deixou a incubadora, instalando-se comercialmente em Niterói e em 2000 tornou-se uma das 14 empresas selecionadas para o primeiro Venture Fórum. Para desenvolver a ideia Paulo Sérgio entrou com um pedido de financiamento de R$ 70 mil na Finep. Levou três anos desenvolvendo o sistema. O primeiro protótipo foi lançado em 1998 e em julho de 1999 obteve a carta patente do INPI.

 

Fonte: 
http://www.feixe.com.br/empresa.htm
http://www.coppe.ufrj.br/planetacoppe.old/arquivo/noticia000136.html 
acesso em março de 2002
http://revistapegn.globo.com/Empresasenegocios/0,19125,ERA1674286-2992,00.html 
acesso em novembro de 2009 

 

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