“Açúcar Ozonizado”

A utilização de enxofre no processo de branqueamento do açúcar aos poucos vai perdendo espaço nas usinas do Nordeste. Algumas indústrias estão trocando o material, que é considerado nocivo à saúde, pelo ozônio. Além de garantir um produto mais saudável, tanto para consumidores quanto para as pessoas envolvidas na fabricação, e reduzir a emissão de poluentes, a substituição ajuda a agregar valor ao produto final. É o caso da Usina Monte Alegre, na Paraíba, que há três safras deixou de utilizar o enxofre na produção de açúcar cristal. “A substituição pelo ozônio trouxe vários ganhos. A aplicação é mais prática, e causou uma melhoria na qualidade de vida. A usina deixou de lançar gases tóxicos na atmosfera, enquanto o açúcar deixou de ter resíduos”, explica a gerente industrial da empresa, Marlene Oliveira. O açúcar Alegre, fabricado pela usina, já é comercializado no varejo com o selo Sem Enxofre. Nesta safra, foram produzidos 926 mil sacos de 50 quilos do produto. Embora a produção da Monte Alegre seja toda destinada ao consumo interno, Oliveira ressalta que a mudança pode ser um diferencial para os mercados externos. “Para exportar, já há limitações da quantidade de resíduo de enxofre no açúcar”, lembra.

 

“Trabalhei muitos anos em usinas e passei a me dedicar à pesquisa. O ozônio faz o açúcar mais alvo do que o enxofre, sem deixar resíduos. Começamos na Usina Monte Alegre, na Paraíba, e atualmente outras usinas já fazem o processo. Também estamos lançando junto com a Monte Alegre o açúcar adicionado de vitamina A”, comemora. O processo de clareamento com ozônio tem relação com o potencial de oxidação do gás, quase três vezes maior que o do cloro e duas vezes mais alto que o do enxofre. O resultado é um açúcar mais claro e sem resíduos, pois em contato com a água, o ozônio (O3) volta a ser oxigênio (O2) e água. “Ao contrário do enxofre, que em contato com a água forma diversos ácidos, que acabam sendo absorvidos pelo organismo com ingestão do açúcar”, explica Raimundo Silton.

O custo é o mesmo do processo comumente utilizado, mas os benefícios para a saúde são muito maiores. O produto tem um potencial de comercialização grande também, pois na Europa, onde a utilização do enxofre é totalmente proibida, são utilizados outros produtos químicos para o clareamento. “Temos que acabar com o enxofre no açúcar e este é um grande passo”, enfatiza. Primeira usina a apostar na ideia de Silton, a Monte Alegre, da Paraíba, comercializa há cinco anos o açúcar Alegre. Agora, também acreditando em outra pesquisa do pernambucano, a empresa começou a vender o produto adicionado de vitamina A. “É uma forma de dar uma configuração diferenciada a um produto que chega com facilidade à mesa da população”, explica Silton. “Começamos a vender na semana passada nos supermercados de João Pessoa. A ideia é estender a venda para todo o Nordeste”, diz a gerente industrial Marlene Oliveira. Atualmente a usina produz um milhão de sacos de açúcar sem enxofre e espera comercializar 30% com a adição de vitamina A. Neste caso, o preço fica 50% mais caro.

A Monte Alegre não é a única a fazer experiências sem enxofre. Embora ainda não tenha comercializado o produto, a Usina Sinimbu, em Alagoas, realizou testes para a fabricação de açúcar cristal com ozônio no final da última safra. “O resultado foi satisfatório”, explica o gerente de produção da empresa, José Alfredo Júnior. “O ozônio reduz os custos com produtos químicos. O enxofre é um produto caro”, conta. A proposta da Sinimbu é iniciar a produção do açúcar sem enxofre já na safra de 2007. “O enxofre é corrosivo, cancerígeno e degrada o ambiente. Isso tudo fez com que a gente tivesse a ideia de mudar para o ozônio”, afirma o gerente da usina. Segundo Raimundo Silton, diretor de uma das empresas que fabrica o equipamento, a Gasil, a substituição do enxofre pelo ozônio faz com que as usinas consigam uma remuneração mais alta pelo açúcar. Ele conta que os custos com o novo equipamento são os mesmos que o produtor tem com o enxofre. “Além disso, a empresa vai ter um produto com valor agregado ainda maior”, afirma. O açúcar cristal branqueado pelo ozônio não tem diferença visual em comparação ao produzido com enxofre, afirmam os fabricantes. O sabor, contudo, pode ser diferente. “As pessoas dizem que ele é mais doce devido à ausência de enxofre, que é ácido”, explica Silton. Com a intenção de fabricar um produto ainda mais saudável, ele conta que a Usina Monte Alegre agora começa a produzir açúcar sem enxofre e com adição de vitamina A. “Se conseguirmos adicionar micronutrientes ao açúcar, ele poderá ser usado como veículo para a complementação nutricional”, diz.

 

. Fonte: http://www.fetape.org.br/index.php?secao=noticiaunica&codnot=112

http://www.correiobraziliense.com.br/html/sessao_18/2009/03/28/noticia_interna,id_sessao=18&id_noticia=93493/noticia_interna.shtml

http://200.221.3.197/jornal/busca.php?texto=diret&atual=20900&dia1=&mes1=&ano1=&dia2=&mes2=&ano2=&acao=busca&veiculo=&canal=

http://www.jornalcana.com.br/pdf/155/%5Ctedindl.pdf

acesso em maio de 2009

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